Porco Espinho
Takeshi andava por aí deambulando por baixo de tectos estranhos. Já lá iam os tempos burgueses do espaço 57 lá pelas terras do Bom Jesus. A comunidade esgueirou-se; bandidos! Cada um seguira a sua vida e o 57 fechou. Morreu ali mesmo gerido por uma bravia filha de uma pega, que queria mais peso do que fazer contas à vida. Cada um faz a sua prisão com as escolhas da própria vida. Foram por aí viver as suas vidinhas nesse estado de lusco-fusco, de sonambulismo desorientado, enfadados pela marginalidade, fazendo parte do todo antes de dar o badagaio.
Takeshi perdera a noção de pertença, já não se via naquela terra, estava cada vês mais frio, meio pitosga por sinal, pançudo. Tão obeso que já o coração carpia. Estava gordo como um porco! Um porco tão gordo e tão avinagrado que ninguém lhe passa cartão. Por vezes sentia ainda algum calor para repartir mas os espinhos já lhe tinham afugentado os aliados. Vira-se por vezes morto a mendigar por bafo quentinho e docinho de um camarada qualquer. Depois lá vai pagar um café a essa gentinha, não mais do que um café pois as moedas que lhe tocavam não eram abundantes. E lá fica sentado a ouvir a passarinha na cavaqueira. Palra palra palra nem é preciso rebater, fala-se de tudo compras, do tempo enfim de todas as futilidades.
Um bom libertino não precisa de dinheiro, nem precisa de passear o seu cio nessas ruas perfumadas pelo cheiro a mofo empestado pelas putas abrasileiradas, romenos pedintes, portugueses a procurar no lixo, e não menos cabrões aqueles drogadecos que andam por aí a importunar as ovelhinhas na sua lida. Rogo a deus (deus não é igual a Deus) por um dilúvio que purgue a cidade dessa merda toda. ntasias.
Enfim Takeshi era feliz sem amigos e livre, livre de razões.
