Porque me sinto pachorrento, neste fim-de-semana inglório, lá vou tomar um café com estes meus três amigos. Primeiro passo pelo Nicola, passando por Londres e Paris antes que se dispare a pistola…
[SONETO DO PAU DECIFRADO]
É pau, e rei dos paus, não marmeleiro,
Bem que duas gamboas lhe lobrigo;
Dá leite, sem ser árvore de figo,
Da glande o fruto tem, sem ser sobreiro:
Verga, e não quebra, como zambujeiro;
Oco, qual sabugueiro tem o umbigo;
Brando às vezes, qual vime, está consigo;
Outras vezes mais rijo que um pinheiro:
À roda da raiz produz carqueja:
Todo o resto do tronco é calvo e nu;
Nem cedro, nem pau-santo mais negreja!
Para carvalho ser falta-lhe um U; [carualho]
Adivinhem agora que pau seja,
E quem adivinhar meta-o no cu
Bocage
Huddled In dirt the reasoning engine lies,
Who was so proud, so witty, and so wise.
Pride drew him in, as cheats their bubbles catch,
And made him venture; to be made a wretch.
His wisdom did has happiness destroy,
Aiming to know that world he should enjoy;
And Wit was his vain, frivolous pretence
Of pleasing others, at his own expense.
For wits are treated just like common whores,
First they’re enjoyed, and then kicked out of doors;
The pleasure past, a threatening doubt remains,
That frights th’ enjoyer with succeeding pains:
Women and men of wit are dangerous tools,
And ever fatal to admiring fools.
Pleasure allures, and when the fops escape,
‘Tis not that they’re beloved, but fortunate,
And therefore what they fear, at heart they hate:
But now, methinks some formal band and beard
Takes me to task; come on sir, I’m prepared (…)
Wilmot
Dolmancé tinha sido informado por um dos meus amigos do soberbo membro que possuo, e fez com que o Marquês de V. nos convidasse a cear. Uma vez em casa do Marquês tive que exibi-lo; pensei, a princípio, que fosse apenas curiosidade mas em breve percebi que era outro o motivo quando Dolmancé voltou-me um lindo cu, pedindo-me que gozasse dele. Eu o preveni das dificuldade da empresa. Ele nada temia. “Posso suportar um aríete”, disse-me, “e não tenha você a pretensão de ser o mais temível dos homens que o penetraram”. O Marquês estava presente e nos estimulava, acariciando, apertando e beijando tudo que nós puxávamos
para fora.
Ponho-me a prepará-lo enquanto apresento armas… Mas o Marquês me avisa: “Nada disso, você tiraria metade do prazer que Dolmancé espera; ele quer uma violenta estocada, quer que o rasguem”. Pois será satisfeito, exclamei, mergulhando cegamente no abismo… Pensa, minha irmã, que tive trabalho; nada disso, meu membro enorme desapareceu sem que eu sentisse e eu toquei o fundo de suas entranhas sem que o tipo desse qualquer sinal de sofrimento. Tratei-o como amigo, torcia-se no excesso da volúpia, dizia palavras doces, e parecia felicíssimo quando o inundei. Quando me desocupei dele, voltou-se com os cabelos em desordem e o rosto em chamas: veja em que estado você me pôs, querido disse-me, oferecendo um membro seco e vibrante, muito longo e fino. Suplico-lhe, meu amor, queira servir-me de mulher depois de ter sido meu macho, para que eu possa dizer que nos seus braços divinos experimentei todos os prazeres do culto que venero. Cedi a seu pedido achando tudo isso bastante fácil, mas o Marquês, tirando as calças, suplicou-me que o enrabasse enquanto era fodido pelo seu amigo. Tratei-o como Dolmancé, que me devolvia ao cêntuplo todos os golpes com os quais eu abatia nosso parceiro e logo me derramou no fundo do cu o celeste licor com que eu regava ao mesmo tempo o eu do Marquês de V.
Sade


